segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Mundinho de merda, gentinha de merda


Cabelos, saltos, luzes, cores
Todas iguais
Plásticas, peitos, falsos, sutiãs
Mulheres, meninas, bruxas
Artificiais
Usam uniforme e máscara, pensam cartilha, decoram porque não pensam
Unhas, lábios, cremes, pesticidas
Provocam, cheiram, apetecem
Fiquem com elas, com todas de uma só vez, se assim preferirem
Elas não sou eu e eu, definitivamente, não sou elas.

domingo, 11 de agosto de 2013

Oração dos Artistas



Nossa Senhora cheia de arte, o sonhar é convosco
Bendita sua voz entre as mulheres
Bendita é a dor do nosso ventre, angústia
Santa poesia, mãe das artes, rogai por nós, artistas, agora e na hora da nossa estreia, merda!

Recuo da bateria


As palavras não dizem o que queremos que digam
Desobedecem
Atordoam, circundam, vão e vêem
Mais vão do que vêem
Agora não
No silêncio posso ser sábia, esse é o mérito
Manchei, porém, minha pretensa sabedoria, perguntando fora de hora, o que jamais precisara ser dito

A devoção, que já era tímida, me deixou
Volto ao recuo da bateria que já era mesmo meu e, lentamente, ensaio um novo samba
Que fale de mais liberdade, mais amor, mais abertura e, da minha parte, mais segurança no que sinto, faço e sou.

terça-feira, 26 de março de 2013

Impiedosamente, cantam


Que saia como alien nesta transcrição que me consome
Que o ódio, a ira e a vingança fiquem todos aqui nestas páginas mal alinhadas
Que os pássaros mantenham seu silêncio por ao menos mais alguns minutos, até que eu me dê conta que não me entrego mais à noite, mas sim às primeiras horas da manhã que eu não queria que nascesse, para que meu fim, enfim, não chegasse

Mas tarda e eles cantam
Impiedosamente
Sem nenhum constrangimento
Mesmo cientes do meu desespero
Não se importam, pouco ligam
E eu, na fadiga que me aguarda, entrego também, antes do tempo, meu escudo e minha espada para que outro possa ser o guerreiro nesta batalha sem fim.

Rio, 24/4/2010

Carisma, carisma, carisma


Irreverente, caricato
Fica no meu continum mental
Imagens, lembranças, possibilidades, alegrias

Como música, das mais encantadoras
Ouço as histórias interessantíssimas atentamente
Inteligência estratégica, diversão
Coração puro, inseguro, infantil, amoroso, belo

Levanta a bandeira da igualdade a cada passo, gesto, texto
Vivencia como ninguém o entusiasmo, a fé, a motivação do líder, do estadista, do santo

O super herói das histórias em quadrinhos é meu amigo
Por enquanto.

Goiânia, 23/07/2008 

domingo, 21 de outubro de 2012

Vontade



Muita vontade de sentir seu cheiro, tocar seu pescoço numa sequência de beijos longos, lentos, intermináveis

Sentir você encaixado em mim, o delicioso peso do seu corpo me tomando por completo, me fazendo sua

Suas mãos deslizando com precisão, sua boca cheia de sede abraçando meu seio

Vontade de receber o seu olhar e sorriso cheios de vida e desejo, e de me dar a você mais e mais
De novo e de novo e de novo

Vontade de sentir o nosso movimento de amor incessante, como um só corpo fora de qualquer controle

Vontade

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Se a morte...


Uma graça me veio ao coração...a lembrança da morte, do pós-morte
De tudo e todos que deixarei para trás mais cedo ou mais tarde
De toda a vida que não será mais minha
Só lembranças, memórias

Sentir a morte todos os dias, logo pela manhã, deveria fazer parte do pacote da vida
Que maravilha seria!
Ela podia nos visitar mais vezes...
Só assim me recordo, sentindo com o coração e com todos os sentidos, o quanto a vida é bela, doce, mansa e preciosa
Só assim o aparente problema ou drama se dissolve, porque, diante da morte, se torna absoluta e completamente insignificante, inexistente, fraco, vazio, sem razão de ser

Se ao menos o cheiro da morte me visitasse todos os dias, como hoje, eu teria mais coragem
Me divertiria mais, pensaria menos, mediria menos, tentaria acertar menos, me declararia mais, explicaria menos, riria mais!
Certo?!
Qual?!
Certeza mesmo só que um dia a Mitzi não será mais a Mitzi, com seus velhos hábitos, opiniões, medos, planos, ideais, ambições, amigos, pais, irmãos, romances, sonhos, defeitos, virtudes
Tudo, absolutamente tudo será desfeito, desconectado, apagado

Então, qual é o propósito de se apegar de forma tão ferrenha a cada um desses personagens, figurinos e cenários?
Por que não desfrutar com alegria, regozijo, gratidão e presença plena de cada momento, tendo como solo apenas o amor e a solidariedade, apenas o cultivar da pureza de cada intenção?
Reverenciar a vida em si, independente deste ou daquele resultado, desta ou daquela vitória
Leveza, alívio...
A lembrança da morte deveria ser vívida em nós
Só assim viveríamos em paz.

Goiânia, 15/8/2012