sábado, 26 de julho de 2014

Personagem Perpétuo


Uma incoerência do início ao fim que até hoje ainda me tem perplexa, incrédula
Só é capaz de compartilhar o personagem, a mesma vítima de ontem que é perpetuada e revitalizada a cada novo encontro
A vítima indefesa que precisa ser resgatada, salva por uma mulher brava, guerreira e otária, bem idiota mesmo
Aquele tipo de mulher que, uma vez ativada a sua compaixão ou o seu amor, torna-se cega e se transforma toda em cuidados, carícias e compreensão sem fim

E o persogame se perpetua…
Como um vampiro bem intencionado, suga toda a sabedoria, os sonhos, as juras e as alegrias da mulher-herói
Depois, abastecido, segue viagem
Sem recordações, registros, nem lamentos

Segue com seu personagem que não é teórico nem prático, bonito nem feio, bom nem mau
É apenas personagem de desenho desanimado
Sem graça, sem vida, sem inspiração própria, sem bússola
É o personagem perpétuo, que nunca foi deixado para trás
O personagem foi capaz de inebriar o ator que, agora, confuso, pensa ser personagem…