Uma incoerência do início ao fim que até
hoje ainda me tem perplexa, incrédula
Só é capaz de compartilhar o personagem, a
mesma vítima de ontem que é perpetuada e revitalizada a cada novo encontro
A vítima indefesa que precisa ser resgatada,
salva por uma mulher brava, guerreira e otária, bem idiota mesmo
Aquele tipo de mulher que, uma vez ativada
a sua compaixão ou o seu amor, torna-se cega e se transforma toda em cuidados,
carícias e compreensão sem fim
E o persogame se perpetua…
Como um vampiro bem intencionado, suga toda
a sabedoria, os sonhos, as juras e as alegrias da mulher-herói
Depois, abastecido, segue viagem
Sem recordações, registros, nem lamentos
Segue com seu personagem que não é teórico
nem prático, bonito nem feio, bom nem mau
É apenas personagem de desenho desanimado
Sem graça, sem vida, sem inspiração
própria, sem bússola
É o personagem perpétuo, que nunca foi
deixado para trás
O personagem foi capaz de inebriar o ator
que, agora, confuso, pensa ser personagem…